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(dos afagos desesperados)

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Olha, a gente se procurou, se procura, foi tudo meio assim, meio do nada. Mentira, não foi do nada, não foi assim que eu vi... mas vai saber, nunca da pra saber o que as pessoas estão pensando, se nem mesmo eu sei, as vezes, o que eu to querendo dizer... Mas a gente se manteve assim meio próximo, onde o limite da sua impessoalidade permitia. Não sei se essa é a palavra certa, pensei em frieza, mas não combina. Acho que pode ser medo, pode ser asco, pode ser indiferença... Não vou ficar aqui tentando adivinhar. A verdade é que você, assim como eu, tinha um propósito. A verdade é que eu, diferente do que seria o ideal a se fazer, precisei de você desesperadamente. Precisei porque, olha, a culpa foi minha, é verdade, mas precisei primeiramente, talvez, como um amigo. Não estávamos destinados a nenhum mal maior, era só a saciedade de se estar junto – junto a alguma coisa. Não precisava de flores, eu nunca gostei muito de flores. Não queria um chocolate de sobremesa pro almoço, não queria ...
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Me peguei pensando em passado ontem. Só chama passado por uma razão, e eu não queria viver disso. Não que faça diferença, entre viver de ir vivendo e viver de passado. O problema é quando se vive de passado sozinho, e quando se vive de passado e continua sofrendo. A única desculpa para se viver de passado é isso te fazer melhor, porque quem sou eu pra julgar aqueles que por algum motivo preferem viver em memórias ao invés de criar novas? O problema é que o futuro é assustador e o presente asfixia. Não consigo entender quando isso começou, talvez quando você foi embora. Estive esse tempo todo com medo de ser essa a razão, mas afinal que mal há nisso? Admitir um problema não faz dele menor ou maior, talvez mais real. Foi difícil, precisei enfrentar muitos pesadelos para conseguir, mas admiti. Foi horrível, não sabia que o desespero poderia ser tão faminto. Acho que, acima de tudo, tão doloroso. Estive perdida sem saber direito porque, e sei lá, talvez isso não sirva de nada, mas saber ag...
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Olha, tô aqui insistindo nisso, mas é que tem coisa que a gente precisa mesmo insistir. Mas também tem coisa que já é demais, né? Como saber que tem que acordar cedo e ir dormir tarde. Eu to aqui, morrendo de sono, sabendo que amanhã vou ter que acordar cedo e além de tudo tomar banho, e eu olho no relógio e to vendo os minutos. Você sabe que os minutos quando querem sabem voar, né? Pois é. Mas eu to aqui, to escrevendo, porque olha, vou ter que repetir... Tem gente que insiste em errar o mesmo erro, eu to errando. Só conheci gente assim porque estou sendo assim. Mas quer saber? No fundo, quem nunca? Dizem clichês que sentimentos e razão não andam bem juntos. Divergências políticas. Concordo. Tô pra descobrir que isso aqui é a ausência mais pura de razão e o transbordo de todos os sentimentos do mundo. Tem um monstro no meu estômago, o nome dele é solidão. Tá me empurrando pra baixo, pro lado, pro outro, pra cima, pro nunca mais, pro até quando... Até quando? Até quando alguém aguenta ...

20/11 - Carta de Saudade

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Querida Carlota, Hoje tomei a coragem de te escrever, porque explodiu no meu peito uma tristeza enorme ao saber que você foi embora. Eu queria entender, sei que estivemos distantes, sei que as coisas mudaram... Mas queria entender porque sempre sinto você tão próxima como amiga, mesmo tão distante. Queria entender porque sinto tanta falta de você. E é que eu me sinto tão sozinha ainda, depois de tanto tempo em que eu estou aqui, você ai, nossos outros amigos também "espalhados", e mesmo assim esse sentimento de que falta alguém é tão recorrente e presente, me acompanha sempre. Parece que sempre tem aquela coisinha pra contar, desabafar e não tem pra quem. Parece que conhecer pessoas demanda um esforço muito maior do que quando nos conhecemos. Parece que não consigo me encontrar nessas tantas outras pessoas, mesmo depois de tanto tempo aqui, é como se eu estivesse "vivendo" pela metade. Você me conhece, a intensidade e o exagero sempre fizeram parte de mim, mas nesse...

Das liberdades da gente

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E sim, eu estou aqui, parada e presa, e sem liberdade, porque me coloco nessa situação. E quantas vezes não fazemos isso a nós mesmos, nos prendendo à pessoas que nem sempre nos querem. Nos privando de todo e qualquer tipo de liberdade de ser, de ter, de querer. Nos movimentando de acordo com os passos do outro e esperando respostas por isso, fazendo com que nossas ações saiam de acordo com o que se tem do outro, construindo situações para estar "ali" na hora certa. Não basta "deixar o outro ir", porque não se trata disso. O outro não está querendo ficar, na verdade ele nunca esteve, de fato, aqui. Se trata de permitir a si mesmo ir embora, colocar uma pedra em cima e se "libertar" - porque afinal de contas se se está preso é porque assim se quis. E isso dói muito. A percepção do que se é possível fazermos a nós mesmos, principalmente quando percebemos num "estágio avançado" que há alguma coisa errada, desconexa, você não é mais você, simplesment...
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Querida Carlota, Hoje te escrevo em meio àquela típica ressaca da qual costumávamos compartilhar. Minha cabeça dói, mas seria mentira dizer que exagerei apenas na bebida. Você sabe, você me conhece bem, que ao te escrever procuro sempre desesperadamente por um aconchego. Hoje a única pessoa com quem eu queria falar, é você. Tenho um desabafo a fazer, amiga. E acho que você me compreenderia muito bem, se estivesse aqui comigo. Eu não consigo entender as pessoas. E talvez com certeza eu esteja no meio dessas pessoas, porque algumas vezes eu também não consigo me entender. O sentido pra mim sempre foi muito simples, e a saída é fácil. Estou falando sobre práticas cotidianas, estou falando sobre “se quer faz, se não quer não faz”, sabe? As escolhas sempre estarão presentes e a gente vai precisar escolher. Essa coisa de ficar andando na indecisão, argumentando que não sabe de nada, não tem certeza, pode ser mas pode não ser, isso não funciona. Pare, pense e decida. Se foi a decisão certa ou...

rouquidão

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“Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim, há muito tempo estava acostumado a apenas consumir pessoas como se consomem cigarros, a gente fuma, esmaga a ponta no cinzeiro, depois vira na privada, puxa a descarga, pronto, acabou. Desculpe mas foi só mais um engano? E quantos ainda restam na palma da minha mão? Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com essa fome na boca” (C.F.A)