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Encontrei uma maneira de tentar me manter em pé, doidera. Preciso sentir isso o tempo todo que eu puder porque eu não quero sentir absolutamente mais nada. Porque ai, parava um segundo e ...  Então vinha aquela sensação de vai-volta-vai. E o medo, o medo, o medo, o medo. E o eterno não ter certeza. O medo de ser perguntada do que é esse medo. O medo do medo ser sobre algo pequeno. O medo de não conseguir escrever mais, a única maneira de conseguir explicar esses sentimentos e, mesmo assim, já nao mais capaz. Uma certeza: Quando a gente já é assim, com essa pele sensível, essa membrana e nada mais e quando a gente aprende a ver as coisas, a perceber os detalhes, quando a gente entende como o mundo funciona e descobre que a felicidade é tão, tão, tão sutil, que a felicidade que existe hoje, para ser alcançada é tão hipócrita e amarga e descobre que é preciso encontrar a felicidade real que é a luta, a luta contra a mentira onde a gente existe... Quando isso acontece(r) é pra ser tã...

profundo

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Fica aquela vozinha, no fundo, gritando pra gente desesperadamente pra que a gente possa ouvir "anda, levanta... anda, tudo vai ficar bem". Eu minto pra mim mesma, eu estou tentando. E eu mesma digo que isso é mentira, eu não sou boa o suficiente para tentar. Estava deitada atrás da porta, olhando embaixo pela fresta, pensando num futuro que nem é meu. É tão longe, tão imperceptível. Vi algumas sombras, vivo tendo medo das sombras. Não consegui sentir o gosto do que é liberdade - essas amarras que eu mesma fiz, de passado, ficaram muito apertadas... o ser humano tem uma capacidade incrível de se afundar sozinho - e eu pude perceber isso, e pude entender como isso acontece: parece que, quanto mais fundo você vai e você se vira e olha para trás e as coisas vão ficando pequenas, tão pequenas, pequenas, pequenas e você não consegue enxergar. Não enxerga as paredes ao seu redor, não enxerga as escadas que aparecem, as cordas, as camas-elásticas e, o mais amargo de tudo, não en...
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Eu sinto uma dor. Uma incontrolável e longa dor. Um despropósito gigante que é viver. Uma angústia dentro, um poder corrosivo. Acho que venho perdendo a vontade. A perda vem se acumulando e as experiências não valem a pena. Mesmo os sorrisos parecem tão pequenos e incapazes de lutar contra isso. Não são armas, porque não vejo possibilidade. Devo ter sido derrotada e estive tentando me enganar... Qual o próximo passo, agora?

carta

"Querida Aurélia, Tem feito um frio anormal por aqui. Confundo muito se pensar é bom ou ruim pra isso que eu to sentindo, acho que é uma grande dúvida. Talvez, mas só talvez, eu esteja perdendo alguns sentimentos mais quentes. É verdade, Aurélia, que hoje, enquanto eu te escrevo, eu me sinto mais leve e mais dona da minha felicidade, porque tenho encontrado na escrita uma maneira de tentar dizer o que eu sinto. Mas ao mesmo tempo a sensação de vazio é tão grande que eu fico pensando se posso abarrotá-la de coisas outra vez... A questão é que eu nem sei como começar e também não tenho vontade de procurar. Enquanto chove, enquanto o ar esfria e enquanto eu penso em alguma solução maciça, minha alma tenta desesperadamente buscar uma lembrança. E ela nem é real. Perdoe-me por isso minha amiga, por esse tom. As coisas ficaram ruins, fugiram das minhas mãos. Fazia tempo, pra ser sincera, mas eu vinha empurrando pra baixo do tapete, tentando esconder aquilo que, por medo, eu não consegu...

(literatura de desabafo)

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Vim buscar uma forma de desabar pela escrita. Isso sempre funcionou, até hoje. Até que eu não consegui escrever, e ficou saindo um monte de baboseira. Eu apagava. Saia de novo, eu apagava. Quando uma coisa quebra uma vez ela nunca mais volta a ser mesma... Acontece o tempo todo, liquidificadores, maquinas de lavar, corações, almas... Todo esse tempo estive estilhaçada sem querer perceber. Dei cinquenta mil voltas com fita adesiva, achando que depois de um tempo isso entraria em mim e tudo ficaria bem. Normalmente o caminho mais fácil é negar. Negar o quão profundo alguém te machucou – e achar que aceitar um pedido de desculpas é suficiente pra te curar. A verdade é que a única coisa que eu consigo pensar é quão fracassada eu sou. Quanta dor toda essa situação me causou. E quanto ainda tem corrido dentro de mim, como um veneno que insiste em não querer sair, cristalizado no coração, na mente... perturbando. Meu único momento de calmaria é quando estou dormindo. É quando posso ter um d...

cravado

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Tem uma coisa que sempre fica, uma coisa que incomoda. Parece um espinho, uma farpa bem encravada na pele, que se estilhaçou pra gente achar que cada pedaço minúsculo dela que conseguimos tirar é realmente ela inteira. Claro que cada um tem sua ideologia, tem suas crenças, tem seus motivos, tem sua fé. Claro que cada vida é uma vida inteira pra se buscar isso. E eu aqui, farpa por farpa, tentando buscar uma fé. Fé. Deve ser isso, deve ser encantamento, magia. Ninguém falou que era fácil, porque se você se atentar à vida - aos detalhes, que é o que deixa as coisas bonitas - vai perceber que são eles também que deixam a vida insuportavelmente sofrida. Cada coisa com uma coisa por detrás, cada motivo com uma razão, cada razão parte de uma engrenagem que massacra, todos os dias, massacra a gente. E, viver amortecido pode não ser tão ruim... Viver é bom. Não ousaria dizer o contrário, porque tenho um amor à vida acima de mim mesmo - o que inclusive não me permite desistir das coisas, não...
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30 horas sem dormir. Fiz o que pude, mas de repente não foi mais possível resistir. E embora fosse apenas uma luta qualquer, no fim percebi que tinha mais do que simplesmente ficar acordada... Enquanto estivesse estaria livre de todos os pesadelos, ou não precisaria pensar neles. Se dormisse, teria que enfrentá-los todos de uma vez. Se dormisse não seria capaz disso e ficaria desprotegida... Não era o momento pra isso, não podia me expor assim, mas foi preciso. Acho que o que fica disso é que a vida é frágil, os sentimentos também. Eu deveria saber que não era um bom momento pra isso, eu deveria ter certeza. Talvez não fosse nunca, mas aquilo era o procedimento necessário, extrair o espinho, fazer parar a dor... Mas deixar sangrar. Hoje não consegui acordar e quando levantei percebi que não poderia me levantar realmente, que não tinha vontade para fazer nada, que precisava ficar aqui, simplesmente aqui. Que eu não queria ninguém, não quero ninguém, não quero mais esperar nada de ningué...