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retrocesso.

De todas as aflições que afligem a gente, aquela de não saber se se é possível seguir em frente hoje me parece a pior. Quando se está estagnado e acha que aquilo tudo já passou, já foi embora... Quando achamos que aquela era a hora certa pra se levantar e seguir em frente. Há um baque, ele é maior. Cair com a certeza de que se podia ir, sobretudo, em frente. Quando não podia. Quando doía. Quando podia. Quando poderia. Quando seria.

"I'll do it all everything, on my own I don't need anything, or anyon".

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Havia aquele buraco e, por ele. me entrava ar. Ao redor de mim tudo permanecia parado, extremamente denso, inflexível. A única maneira de escapar daquela constante falta de ar, daquela pressão que começava a tomar cada pequeno pedaço do corpo era atravessando aquele buraco. E uma certeza: fora dele as coisas seriam melhores. Tinham que ser. Me aproximei, mas pude perceber que, de fato, era um buraco muito pequeno. Eu jamais conseguiria atravessá-lo. Não havia nada em minhas mãos, nenhum instrumento, nenhuma maneira de fazê-lo aumentar... Ao me aproximar pude ver, lá fora, uma constante movimentação ... não sabia exatamente de que, mas era como se as coisas ali pudessem realmente funcionar, enquanto eu permanecia inerte, do lado de dentro - ou de fora, daquele buraco.  Eu queria fazer parte, eu precisava fazer parte. Eu não poderia mais suportar estar ali, não mais agora quando eu havia experimentado uma pequena noção das coisas do outro lado. Eu tinha que atravessar aquele b...

#carta número 3

Minha querida, Tudo mudou e nada mudou. Sabe quando a gente fica assim com aquele sentimento de incompleto? Quando a gente espera assim, algumas respostas, alguns resultados e não sabe o que esperar? Esse calendário tá bagunçando tudo, meu bem. Há muito tempo eu não ficava assim, perdida no tempo, traçando planos irreconhecíveis e me enchendo de objetos de proteção, pro próximo ano que com certeza vai ser paulera. Bom, é que eu nunca acreditei também nessas coisas, mas sabe como é, a gente precisa se agarrar em alguma coisa pra viver porque se não fica feio... Cê sabe, tento buscar uma maneira de lutar, mas parece que nem isso tem sido suficiente... bom. Queria te contar que tirando isso - que infelizmente é tudo - não tenho nada pra contar. Nada é suficiente pra você. Nada deixa a gente com essa perspectiva de qualquer coisa, uma infinitude de coisas. Bom, tenho apostado minha ficha em todas as coisas que estão longe de serem certas, são só erradas, mas você me conhece bem o suficie...

de desistir.

Você tem uma caixa. Uma caixa tamanho médio, resistente. Uma caixa que serve para colocar todos aqueles probleminhas, aquelas indigestões, aqueles contratempos... Um, por um. No começo, organizados. Com o tempo eles vão se ajeitando sozinhos lá dentro. E eles se solidificam, com o tempo. Porque, com o tempo, todo mundo sempre diz - é o melhor conselho - com o tempo as coisas passam. As dores, as perdas, os amores e nós, mas o essencial, esses incômodos(zinhos) passam. Mas se solidificam, porque incomodos(zinhos) se tem essa mania de não ir atrás de resolvê-los, mas guardá-los na caixa. E, como se solidificam, ocupam espaço permanentemente na caixa e, com o o tempo, também, surgem novos problemas para se colocar na caixa e, um a um, se juntam, se amontoam. E você percebe que a caixa está cheia, entupida - prestes a transbordar. E você tenta inutilmente fechá-la, senta em cima, passa fita, empacota... Mas ela pode explodir. E você resolve pegar, esses problemas, olhar pra eles e resolvê...

sobre tanta dor

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A gente pensa que é sempre fácil, sentimos dor. Até decidirmos não sentir mais. Conheço, de conhecer, poucas pessoas, mas o suficiente para entender que a maneira como cada um lida com a sua dor é, em certos aspectos, única.  Sempre fui um elo fraco. Um componente exausto. Uma desistidora em potencial. Não sei lidar com a dor, e quando penso nisso até bate aquele desespero de perceber que existem dores muito, muito, muito maiores que eu poderia ter que enfrentar... E que não saberia como. Então, eu resolvi tentar, e decidi que, dali pra frente, aquele tanto de dorzinhas acumuladas ficariam para trás. E que eu estava curada, o tempo seria decisivo, eu entendia, mas eu tinha o suposto controle sobre mim e isso significa que eu era responsável por sofrer com aquela dor. Infelizmente (ou felizmente) a gente descobre que não existe valvulinha. A realidade muitas vezes faz papel principal nessa decisão. Com os pés pra fora de casa e com a cara de volta pro mundo, a gente percebe q...
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Encontrei uma maneira de tentar me manter em pé, doidera. Preciso sentir isso o tempo todo que eu puder porque eu não quero sentir absolutamente mais nada. Porque ai, parava um segundo e ...  Então vinha aquela sensação de vai-volta-vai. E o medo, o medo, o medo, o medo. E o eterno não ter certeza. O medo de ser perguntada do que é esse medo. O medo do medo ser sobre algo pequeno. O medo de não conseguir escrever mais, a única maneira de conseguir explicar esses sentimentos e, mesmo assim, já nao mais capaz. Uma certeza: Quando a gente já é assim, com essa pele sensível, essa membrana e nada mais e quando a gente aprende a ver as coisas, a perceber os detalhes, quando a gente entende como o mundo funciona e descobre que a felicidade é tão, tão, tão sutil, que a felicidade que existe hoje, para ser alcançada é tão hipócrita e amarga e descobre que é preciso encontrar a felicidade real que é a luta, a luta contra a mentira onde a gente existe... Quando isso acontece(r) é pra ser tã...

profundo

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Fica aquela vozinha, no fundo, gritando pra gente desesperadamente pra que a gente possa ouvir "anda, levanta... anda, tudo vai ficar bem". Eu minto pra mim mesma, eu estou tentando. E eu mesma digo que isso é mentira, eu não sou boa o suficiente para tentar. Estava deitada atrás da porta, olhando embaixo pela fresta, pensando num futuro que nem é meu. É tão longe, tão imperceptível. Vi algumas sombras, vivo tendo medo das sombras. Não consegui sentir o gosto do que é liberdade - essas amarras que eu mesma fiz, de passado, ficaram muito apertadas... o ser humano tem uma capacidade incrível de se afundar sozinho - e eu pude perceber isso, e pude entender como isso acontece: parece que, quanto mais fundo você vai e você se vira e olha para trás e as coisas vão ficando pequenas, tão pequenas, pequenas, pequenas e você não consegue enxergar. Não enxerga as paredes ao seu redor, não enxerga as escadas que aparecem, as cordas, as camas-elásticas e, o mais amargo de tudo, não en...