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Da verborragia que eu sinto quando consigo falar mas não há escuta.

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O único título que vem na minha cabeça para combinar com o humor de hoje é verborragia misândrica. A parte o fato de achar que a misandria como escolha política não resolve nossos problemas de desigualdade de gênero e exploração, hoje particularmente foi um daqueles dias em que não fazia nenhum e absolutamente nenhum sentido para mim tentar continuar dialogando com homens. Nenhum: homem.  Verborragia é bom porque não precisa mesmo de organização, já que na minha cabeça o que eu consigo unir entre muitas interjeições truculentas, ofensivas e esvaziadas de qualquer conteúdo (embora cheias de sentimentos) são ideias que estão muito confusas sobre o que eu quero falar que é o meu verdadeiro problema hoje. Porque, na verdade pra ser bem sincera, o meu problema é um monte de coisa.  Então, eu sei olhar pra esse cenário de caos que estamos vivendo dentro da educação pública no estado de São Paulo e pensar: isso aqui é o caos. E é o caos porque não é só um problema de edu...

O que é a identidade que se destrói e se recompõe?

Há muito tempo atrás, no meio de um monte de dor amontoada e do término de uma relação de enorme importância me peguei no turbilhão duma mudança de casa, de cidade de ritmo de vida. Naquele momento encarei a mudança como uma possibilidade de começar a vida de novo – por assim dizer. Pensava que deixaria tudo para trás, encarando isso como uma dádiva do presente porque afinal de contas se era para acabar que acabasse tudo mesmo. Na época, não me ocorreu muito o que isso iria querer dizer, mas como essas coisas de coração mesmo, o término doeu e me fez escrever uma reflexão, exatamente aqui, destroçada e – viria a saber um pouco depois – ofensiva que me custou algumas coisas, supostamente. Esses dias essa fuga doeu. Vi uma amiga ter um filho, outra casar e engravidar, vi festas e comemorações e viagens e um amigo se afastar, talvez também pelas causalidades da vida. Pensei que a distância física pudesse explicar a perda desses vínculos afetivos todos, mas ponderei que não era só is...

Afinal, o que tem a ver o Brasil com a Finlândia em matéria de educação?

Ultimamente tenho visto muitas pessoas compartilharem críticas ao sistema educacional brasileiro respaldadas em comparações com países europeus como a Finlândia, que de fato é um país que se tornou, principalmente com muita publicidade, referência no tema da educação com o seu sistema “inovador”. Pensando nessas críticas resolvi ler algumas matérias sobre a menina dos olhos finlandesa, isto é, como funciona a educação por lá. A ideia era ler artigos de pesquisa, mas o tempo é muito escasso. Assim, organizei aqui principais pontos para trazer ao debate, com as referências bibliográficas ao final para quem quiser dar uma olhada. Então vamos lá. A primeira coisa importante é nos lembrar que existe alguém (pessoa ou instituição ou ambos) que produz a narrativa da “melhor educação do mundo”. Os critérios que classificam, em qualquer situação, são construídos a partir de algum(ns) referencial. Sendo assim, quando se fala sobre a melhor educação do mundo ser a da Finlândia, o referencial...

Encontre amor revolucionário em um mundo de profunda alienação

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Por: Helin Dirik em 02/06/2018 Tradução: Eu  Texto original em inglês: http://theregion.org/article/13568-finding-revolutionary-love-world-of-profound-alienation Amor. Quantos poemas foram escritos, quantas peças de arte foram criadas, quanta tinta foi gasta sobre o amor? É por uma razão que a humanidade desde sempre tenta descobrir os segredos e mágicas por trás do amor. Ao mesmo tempo, o sentido e a substância do amor de alguma forma permanece um mistério. Hoje, chegamos a muitas definições diferentes de amor. Algumas vezes se diz que o amor pode salvar todos nós, outras nos dizem que o amor é cego. Algumas vezes o amor machuca, outras ele significa cura. Mas que tipo de amor nós estamos falando e sobre quais condições o amor é verdadeiro e livre? Quando falamos e pensamos sobre o amor, precisamos considerar as condições sociais e políticas de nosso tempo. Numa sociedade moldada pelo capitalismo, egoísmo, sexismo e (auto)alienação, o significado e a substância d...
Eu não sei bem de onde veio, mas eu tinha essa vontade antiga da Chapada dos Veadeiros. É longe, foi mais caro do que eu poderia pagar e precisou de um ventinho soprado a favor, mas a experiência foi absurda. Serena. E não poderia ser em melhor momento que esse.  Eu acho que, de todas as coisas que sinto vontade de escrever quando vou registrar sobre alguma viagem a que mais me impulsiona é esse desejo de colocar pra fora o que foi a viagem em mim, intimamente - compartilhar as transformações subjetivas, os aprendizados. Por exemplo, perceber que a intensidade de grandes cachoeiras que conheci estava não só na força com que caiam, na água congelante, mas no chamar praquela realidade, ali. As cachoeiras que conheci, Veredas, Salto, Couros, Cristais, Santa Bárbara, Cânyon  inóspitas, me faziam acordar para a realidade e dissipavam em mim diversos pensamentos que, cotidianamente, tendem a se fortalecer e que são pensamentos que se retroalimentam, fazem mal. Os monstros, ali,...

Notas sobre um relacionamento abusivo

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Sempre começava como uma espécie de comichão na barriga, uns arrepios indo e vindo e de repente um buraco que vai se abrindo. Não é possível se concentrar. Há um tempo atrás, diante de um daqueles momentos em que se olha para qualquer lado e a única possibilidade plausível, em busca de uma felicidade e dignidade razoável, era sair, procurou conhecer a história de tantas outras mulheres que relataram a vivência de algo assim. Precisou reconhecer que, primeiro, era preciso entender o que era o abuso, em cada uma das situações. Como se manifestava e como a fazia se sentir. Depois, era preciso reconhecer que já julgou muitas das mulheres a quem recorreu, saibam elas ou não, para conseguir ajuda. Pensava obter nelas as respostas de como eliminar o abuso, como fazer para quando tomava a decisão em continuar ali, sentir que havia motivo.  É preciso agradecer a essas mulheres. Sem elas, teria sido mais difícil. Mas essa foi uma digressão. Certa vez, quando resolveu procurá-las, se ali...