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sobre amor livre e subjetividades tantas

O amor é construção. As relações são construídas. Quando nos propomos a ter uma relação aberta (o tal amor livre)é, ao mesmo tempo, uma desconstrução. É a proposta de olhar para questões que, normatizadas, seriam problemas e se propôr a pensá-las conjuntamente. Não é perfeito, não é a resposta para os problemas da sociedade, não é livre realmente - isso não existe. Não é imune às opressões, inclusive também se é contaminado por elas. As relações são construídas objetivamente, mas dependem também dos sujeitos que as constroem, dispostos a isso, com seus vícios, sonhos, desejos, sentimentos.  Construí uma relação por três anos. Desconstruí nessa relação por dois. Tivemos os momentos maravilhosos, regados à paixão. Os problemas. Os ciúmes. Os medos e as crises, as brigas, as ausências, os planos, os sexos e carinhos, os beijos, abraços, risadas e lágrimas. Tudo isso dentro dos conformes das relações afetivas. Foram três anos em que cresci incrivelmente, mudei pra caralho e descob...

Opa! Se me va una pieza!

De tempos em tempos me movo para escrever. Ou melhor, o amor(e a falta dele) me move. As pessoas, as relações e as não-relações. Os conflitos, as decepções e as frustrações. Algumas borboletas no estômago, os sorrisos e carinhos. As risadas. Todas as coisas que foram e também as que poderiam ser. Assim, eu escrevo. Porque as vezes sinto uma necessidade enorme, que cresce apressadamente em mim, essa necessidade de transmitir às palavras aquelas coisas que eu sinto.  Brinco comigo mesma: fazer a sociologia crítica do amor não é tarefa fácil. Ainda mais quando o coração, vida que é, insiste em doerapertarsangrar todo dia.  A comunicação, tarefa árdua. A responsabilidade afetiva em ter responsabilidade com pessoas que nunca pensamos que teríamos - já que muitas vezes não temos nem com aqueles que supostamente deveríamos ter. As tantas, várias, muitas assimetrias - sobre as quais nunca podemos falar, tabu intocável que é "discutir relações" quando, na verdade, deveríamos pode...

Um Jean Wyllys sobre a Palestina calado é um poeta!

Em entrevista que concedeu à Fierj Federação Israelita sobre a ida à Israel, Jean Wyllys demonstrou não só uma incapacidade incrível em ser criticado pela sua posição política sobre a questão Israel/Palestina como também um enorme desrespeito para com os palestinos e palestinas que lutaram e lutam resistindo à existência criminosa de um Estado como Israel. Foi a cereja no bolo de baboseiras que ele vinha proferindo desde que foi pra lá. A posição dele além de dificultar o debate já difícil dessa temática, faz um enorme desserviço para que a esquerda o faça de forma qualitativa no país. Para ele parte dessa esquerda brasileira é dogmática PORQUE acha que "a Palestina é o mocinho e Israel é o vilão", resumindo que o nosso problema é não querer entender a complexidade do conflito uma vez que "não há maus e bons" nessa história toda. Eu queria explicar, em outras palavras: somos dogmáticos porque diante do conflito histórico que envolve Israel e Palestina nos posic...

"Fica bem", "Se cuida" e "tenha uma boa vida" e o significa real do "não se envolver".

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(Eu não deveria estar escrevendo isso. E esse deveria ser o meu mantra sobre esses assuntos: Eu não deveria gastar tanto tempo e energia com essas questões. Mas eu sou teimosa).  Há um tempo atrás eu me deparei com uma dessas frases num "término" pelo facebook. Ouvir uma frase dessas me doeu bastante por diversos motivos: pegou no orgulho, no fim de um rolê para o qual eu não estava preparada, no aparência de que para aquele Outro a quem eu tinha me doado tanto era assim tão fácil me descartar da sua vida. Fiquei pensando como seria quando assim, de repente, aquela pessoa não tivesse mais nenhuma notícia minha, nenhum contato meu - a gente realmente sumisse um do outro. Ou um da vida do outro."Se cuida" é uma frase, em geral, muito qualquer coisa: Pode ter um milhões de significações atribuídas tanto por quem fala quanto por quem ouve, e pode não significar absolutamente nada. Esvaziada, em geral, de qualquer intenção sentimental, me fez questionar, primeir...

Sobre relacionamentos abusivos e amor como dominação

Então tá. Que a gente vai aprendendo que muitas vezes é nas sutilezas que o machismo prolifera, isso todo mundo já sabe. Parece que o fato de ser nos mínimos detalhes torna muito mais fácil que a gente se deixe levar e dominar, enquanto ele vai deslizando e tomando conta, silenciosamente, das mais profundas entranhas: domina sua subjetividade e torna a relação, muitas vezes uma forma de prisão – muitas vezes sem grades. Um lugar do qual você não pode sair, uma força que te arrasta, te puxa pra baixo. Muito difícil definir se aquele relacionamento é abusivo ou não. A todo momento em que eu narrava minha histórias, os fatos e o que eu sentia, eu internamente me questionava se estava exagerando, se por um caso aquilo não era algo da minha cabeça ou se, em alguma medida, eu mesma não tinha me causado aquela situação. O processo de desconstrução é tão lento – a gente só vai conseguindo atribuir sentidos às experiências na medida em que, além de tê-las vivido, tomamos o distanciamento e n...

Por que escrevo?

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Escrevo porque busco nas palavras, incessantemente, escrever também meu significado. Procuro uma forma de, letra após letra, preencher um vazio, encontrar uma tradução para algum sentimento impossível de saber. Consigo defini-lo apenas pelo que ele não é – e talvez consiga chegar às suas margens, mas não consigo ultrapassar. Não consigo arrancar esse sentimento de dentro, tentar um reconhecimento do que ele é e, enfim, como derrotá-lo. É uma não possibilidade de felicidade – é a sombra de um fim eminente, de um fim que vai chegar – e que pode, inclusive, chegar a qualquer momento. É um buraco no estômago. Uma bolha de ar gelado ou concreto que transita pelo peito as vezes, exatamente no meio. Uma mão que da um nó nesse peito, que impede por alguns segundos que a gente respire. Procuro pelos livros por alguma resposta, algo que coloque nos trilhos de novo uma vida que contemple amor(es), sexo, ter prazer em escrever um trabalho – sentir felicidade em ir trabalhar, voltar a ver aquelas ...

Por que a solidão precisa ser ressignificada?

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Um dia, numa mesa de bar e entre algumas cervejas me disseram o seguinte: “J., eu tenho medo que você fique sozinha. Você não constrói relações afetivas duradouras, expulsa a maioria das pessoas da sua vida e se fecha num casulo só seu. Não pode fazer isso”. E eu venho pensando incessantemente sobre isso desde então. Eu gosto de ficar sozinha. Eu sempre gostei de ficar sozinha, eu sempre gostei muito das pessoas, dos caras, até não gostar mais e isso ser transformar em algo indiferente pra mim, eu sempre tive poucos amigos que me pareciam suficientes. Quando eu era mais nova isso não me parecia um problema – até quando eu comecei a crescer e isso passou a ser sinal de fracasso, principalmente social. Acredito que é possível ser feliz sozinha/o. E, de repente, em algum momento de passagem pra vida adulta essa convicção se transformou primeiro numa dúvida e, logo, numa nova visão de que isso seria impossível, porque a solidão é sinônimo de fracasso e infelicidade para as pessoas. O ...